
não, não é a música do oasis, se é que alguém pensou nela, além de mim. quando eu via a chamada para este filme no telecine, me lembrava O Barato de Grace. podem me destruir depois dessa confissão, eu sei...
acabo de descobrir meu fraco para filmes: são aqueles mais regionais, e por isso mesmo, universais. não é à toa que à embaçada pergunta dos veteranos de audiovisual na festa pré-bixo sobre meu filme preferido, eu respondi Meu Irmão não é Filho Único. O forte regionalismo das duas facções políticas extremistas italianas, o facismo e o comunismo, que vão se aprofundando nas complicadas relações humanas que não podem ser classificadas por nenhum 'ismo', com direito a amores estranhos para distrair os corações. Tcharam! isto é Lemon Tree. troquemos as facções políticas para o conflito étnico-religioso-territorial mais polêmico do mundo: Israel x Palestina. tudo isso sob o olhar de um inocente pomar de limões. a resenha, simplista e irritante, diz que há um pomar de limões entre a nova casa do Ministro da Defesa de Israel e a casa de uma árabe, Salma. logo, o pomar vira controvérsia, com Israel dispondo toda sua força para o destruir, contra a força mínima de uma viúva determinada para o preservar. esta viúva conta apenas com o seu advogado para ajudá-la, um rapaz que estudou na Rússia e lá deixou uma filha, mas que parece solitário. nem os palestinos ajudam Salma, indo importuná-la somente pela iminência do romance com o advogado que tem a idade do filho de Salma. romance este, moldado em uma situação estranha, e bem possível de acontecer. eu peco pelos romances - desculpe minha alminha feminina criada à desenhos da Disney e comédias românticas pré-adolescentes - e este fez meu coração bater mais forte, embora tenha apenas um beijo no filme todo. (mas como diria uma amiga minha, quanto mais romantico o filme, menos beijos tem). mas bem, chegamos desse mimimi de menininha e vamos aos fatos concisos:
quando digo que o filme se aprofunda nas questões humanas, quero dizer que mostra que existem humanos por trás de qualquer causa política. quero dizer, que entre um muro, existem pessoas, que sentem, e que não ignoram a existência do outro, mesmo dificultada. este ponto é reforçado pela relação silenciosa da mulher do Ministro da Defesa, Mira, e Salma. seu marido, como nunca está em casa, não conseguiria sentir o que aquelas separações ideológicas provocam no íntimo do ser. Mira, que simpatiza com o pomar desde o início, vê a mulher do outro lado, e vê seu sofrimento, porém, não consegue ir muito além para ajudá-la. não sabe como agir, e o seu passo decisivo de mostrar aos jornais sua verdadeira opinião é retificada sob mando do marido. o fim é claro: Mira seguirá sua vida, depois que um portão construído tampa a visão que atormenta sua consciência. este embate pode estar ligado à qualquer relação de um israelita com um palestino, sem conseguir se comunicar, mesmo querendo. isso é muito claro no documentário genial Promessas de um Mundo Novo. mas este assunto tem muito pano pra manga para eu dissertar em um simples post, então passemos a um último aspecto.
o limoeiro: o limoeiro não está ali como objeto de cena, e não é só pretexto para levantar discussões a cerca da luta dos palestinos. os limoeiros são defendidos, no tribunal, de maneira singular. o próprio Ministro da Defesa defende-os (han han) dizendo que deve-se tratar as àrvores como pessoas (mas não tem dó dos palestinos que mata, né, filhodaputa, opa desculpa, opinião parcial demais). enfim, eu sempre tenho uma dúvida, que é como tratar temas ecológicos sem ser chato como aquele documentário do Al Gore, Uma Verdade Inconveniente, nem catastrófico como... Um Dia Depois de Amanhã. os dois jeitos são muito apelativos, e isso me enoja. eu sei que a defesa dos limoerios não é para ter efeitos ecológicos. mas o jeito que se encaixou no filme, fez-me florescer algumas boas idéias para enfiar estes conceitos em narrativas humanas e mais reais. enfim, no contexto do filme, remete-se à tradição arreigada à uma família e... às emoções. Deus! o que é um mundo se não nos apegarmos uns aos outros, hein? precisamos mesmo de sentimentos, mesmo que seja pelos limoeiros.
e talvez, quem sabe, chegaremos à ter sentimentos por aquele que é diferente do nosso mundo.
(e não, o filme não tem final feliz. como diz o advogado "não estamos num filme americano, os finais não são felizes". o final é... desolador. indiferença, traição e... bem. assistam!)
fica na minha lista de melhores.
errata: não é do Oasis, tinha ouvido do Oasis, mas é do The Lemonheads. huum, sugestivo, não?
ResponderExcluir